Escola de Medicina e Ciências da Vida | PUCPR

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Dia mundial do doador de medula óssea

Por: Dra. Carmen Lúcia Kuniyoshi Rebelatto

O primeiro transplante de medula óssea na América Latina foi realizado em Curitiba, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná pelos médicos Ricardo Pasquini e Eurípedes Ferreira, em 1979.  

O transplante de medula óssea é indicado para pacientes com doenças hematológicas, imunológicas e genéticas. O objetivo é a substituição de uma medula óssea doente por células progenitoras hematopoiéticas normais (responsáveis por originar as células sanguíneas) para a reconstituição de uma medula saudável. Como fonte de células progenitoras hematopoiéticas, pode ser utilizada a medula óssea, o sangue de cordão umbilical e o sangue periférico (quando estimulado com fator de crescimento). 

Para a realização do transplante, além do atendimento ao paciente, há a necessidade do processo de busca de doador, a realização de testes de histocompatibilidade para encontrar um doador compatível com o paciente e a coleta e processamento das células progenitoras hematopoiéticas. Em todas estas etapas, é fundamental a participação de uma equipe multiprofissional como médicos, enfermeiras, biólogos, farmacêuticos, psicólogos, assistente social, entre outros. 

O transplante só é possível devido a generosidade de pessoas que são doadores voluntários de medula óssea. No Brasil, os doadores possuem o cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) que é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo, com mais de 5 milhões de doadores voluntários. Devido a estes voluntários, a chance de encontrar um doador compatível, para pacientes que não possuem um doador na família, chega em torno de 64%. Estes dados também refletem a solidariedade da população brasileira em ajudar o próximo.  

Além da contribuição na doação de células progenitoras hematopoiéticas para o tratamento dos pacientes, os doadores voluntários muitas vezes colaboram as pesquisas clínicas para o tratamento de complicações que ocorrem após o transplante, como é o caso da doença do enxerto contra o hospedeiro. Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em colaboração com outras instituições, ensaios clínicos com a utilização de células-tronco da medula óssea, cultivadas em laboratório por diferentes profissionais como biotecnologistas, biólogos e farmacêuticos, estão sendo realizados com o objetivo de geração de produtos inovadores na área da saúde. 

Em comemoração ao “Dia mundial do doador de medula óssea”, nosso respeito e gratidão aos doadores anônimos, que não conhecem a história do paciente, mas mesmo assim, se submetem a um procedimento médico para salvar a vida de outra pessoa e também contribuem com o avanço da ciência. 

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