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Nutrição

Comidas de fim de ano: cuidados para não ter um perrengue alimentar

Neste período de festas é bom ficar de olho no que consome. Saiba os cuidados que deve-se tomar com os alimentos

Férias chegando e com isso a maioria dos brasileiros já conseguem sentir a textura da areia, cheiro do mar, do protetor solar e das comidas comercializadas na praia também. Além disso, o fim do ano também é sinônimo da famosa Ceia de Natal, momento em que todo mundo esquece a dieta e só quer comemorar. Sem julgamentos! Afinal, é fim de ano. E quem nunca passou por um perrengue alimentar nesta época, não é mesmo? 

O que também não dá para esquecer são os riscos que esses lanchinhos que consumimos na praia e nas festas podem trazer a nossa saúde.

“Muitos são os perigos biológicos presentes nos alimentos. Bactérias, vírus, fungos, leveduras e parasitas são alguns dos perigos que podem estar presentes nos alimentos que consumimos, seja em virtude de contaminações que podem ocorrer no campo, seja durante os processos de colheita, armazenamento, transporte ou produção”, explica Cilene da Silva Gomes Ribeiro, professora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Ela alerta que quando estes alimentos estão contaminados e os processos de produção não conseguem reduzir em níveis aceitáveis a presença destes perigos, vários podem ser os riscos à saúde e ocorrência das chamadas Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA).

bacterias presentes nos alimentos

Mas o que são DTAs e como evitá-las?

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, existem mais de 250 tipos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) no mundo. Sendo a maioria delas infecções causadas por bactérias, vírus e outros parasitas que podem causar desde sintomas mais leves como vômitos, diarreia e inchaço abdominal até complicações mais sérias de saúde. As doenças transmitidas por alimentos são consideradas um risco à saúde e, em alguns casos, podem ser fatais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada dez pessoas no mundo adoecem devido ao consumo de alimentos contaminados, totalizando cerca de 600 milhões de cidadãos por ano. O problema é crescente e produz impactos socioeconômicos consideráveis nos sistemas de saúde, afetando também vários outros cenários sociais e econômicos.

Mas, como evitar as DTAs? Ribeiro diz que elas podem ser evitadas por meio da implantação das Boas Práticas (BP), que são ações aplicadas nas etapas de manipulação dos alimentos com o intuito de padronizar procedimentos e melhorar seus critérios higiênico-sanitários e de qualidade geral. “Esses procedimentos devem ser aplicados em toda a cadeia de produção dos alimentos, sendo responsabilidade de todos os produtores e distribuidores de alimentos e refeições tal realização e garantia”, informa. 

DTA’s em casa: cuidados com os alimentos da Ceia de Natal

Cilene Ribeiro lembra que não é apenas nos ambientes de produção e distribuição de alimentos que os cuidados com as boas práticas devem ser praticados e validados. A professora afirma que o consumidor também deve ficar atento e realizar ações que permitam que os alimentos adquiridos e produzidos em seus lares, estejam em boas condições para o consumo, isto é, livre de perigos biológicos, químicos e físicos. “Muitas são as notificações de DTA e surtos provenientes dos lares brasileiros, principalmente durante festas comemorativas”, alerta.

“Normalmente nas Ceias de Natal e Ano Novo muitas são as preparações produzidas e/ou adquiridas para consumo, e nem sempre as condutas corretas para a produção, manutenção e guarda desses alimentos são realizadas”, diz. Ela explica que é fundamental que os alimentos não sejam produzidos com muita antecedência ao consumo, sendo sempre mantidos sob refrigeração ou em altas temperaturas, evitando que os possíveis perigos biológicos existentes não se multipliquem. 

“Por isso, não tenha mais saladas, carnes e sobremesas que sua geladeira comporte! As sobras de alimentos também devem ser armazenadas sob refrigeração, isso evita possível multiplicação de microrganismos”, orienta. 

Na hora de comprar, a professora Cilene aconselha escolher bem os fornecedores, para não comprar algo que só está aparentemente bom. “Escolha alimentos provenientes de locais limpos, que você conhece e que sabe que a qualidade é prioridade”, orienta.

E ainda dá dicas de como dos alimentos comprados: sempre reaqueça os alimentos prontos em temperatura superior a 74oC e não deixe a temperatura dos mesmos baixar de 60 oC, até que sejam consumidos. E, se o alimento for frio, mantenha-o sempre em temperaturas inferiores a 10 oC, principalmente se algum de seus ingredientes for de origem animal (laticínios, carnes, frios, embutidos).

São exemplos de boas práticas:

  • Lavar regularmente as mãos antes e durante o preparo dos alimentos; 
  • Produzir os alimentos em ambiente livre de sujidades; 
  • Desinfectar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos; 
  • Escolher alimentos com procedência garantida, isto é, buscar adquirir alimentos em espaços físicos em que se tenha certeza do cumprimento das legislações sanitárias;
  • Higienizar todos os alimentos que serão consumidos crus; 
  • Realizar controle de tempo e de temperatura dos processos de cocção dos alimentos (lembre-se que os alimentos devem estar sempre bem cozidos e com temperatura superior a 74oC); 
  • Manter alimentos sempre em alta temperatura ou em refrigeração (nunca guarde alimentos no forno, sobre a bancada ou sobre o fogão); 
  • Adquirir alimentos que tenham sofrido inspeção municipal ou federal; 
  • Usar apenas alimentos dentro da data de validade; 
  • Cuidar na conservação e manipulação dos alimentos.

Lembrem-se: a ausência da implantação das boas práticas nos estabelecimentos de produção de refeições e em nossos lares tem como consequência a ocorrência de não conformidades no processo de produção, o que pode causar, negligentemente, surtos de doenças transmitidas por alimentos.

Então, preste atenção e tenha uma alimentação segura. Todos nós somos responsáveis pela garantia da qualidade do que consumimos.

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